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Arqueólogos encontram ossadas de 'vampiros' na Polônia'








Sete esqueletos com crânios enterrados entre as pernas foram descobertos por arqueólogos durante obras da construção de uma estrada em Gliwice, na Polônia. Baseado na forma com que os corpos foram enterrados, o grupo diz que as tumbas pertenceriam a pessoas que foram consideradas "vampiras", pois, durante a Idade Média, acreditava-se que decapitar os vampiros os impediria de voltar à vida.


Postagem Original: uol

A Morte


A morte (do latim mors), o óbito (do latim obitu), falecimento (falecer+mento) ou passamento (passar+mento), ou ainda desencarne (deixar a carne) é o cessamento permanente das atividades biológicas necessárias à manutenção da vida de um organismo, como ao estado desse mesmo após o evento. Considerado cientificamente como o fim da consciência, há várias crenças em diversas culturas e tempos históricos que acreditam em vida após a morte. Tema de recorrentes discussões, a morte é tratada por diversos povos com misticismo, é comum a elas a existência de um ritual com objetivos diferentes a cada uma.



Considerações.

Biologicamente, a morte pode ocorrer para todo o organismo ou apenas para parte dele. É possível para células individuais, ou mesmo órgãos, morrerem e ainda assim o organismo continuar a viver. Muitas células individuais vivem por apenas pouco tempo e a maior parte das células de um organismo são continuamente substituídas por novas células.
A substituição de células, através da divisão celular, é definida pelo tamanho dos telômeros e ao fim de um certo número de divisões, cessa. Ao final deste ciclo de renovação celular, não há mais replicação, e o organismo terá de funcionar com cada vez menos células. Isso influenciará o desempenho dos órgãos num processo degenerativo até o ponto em que não haverá mais condições de propagação de sinais químicos para o funcionamento das funções vitais do organismo; implicando a chamada morte natural, por velhice.
Também é possível que um animal continue vivo, mas sem sinal de atividade cerebral (morte cerebral); nestas condições, tecidos e órgãos vivem e podem ser usados para transplantes. Porém, neste caso, os tecidos sobreviventes precisam ser removidos e transplantados rapidamente ou morrerão também. Em raros casos, algumas células podem sobreviver, como no caso de Henrietta Lacks, da qual células cancerígenas foram retiradas do seu corpo por um cientista, continuando a multiplicar-se indefinidamente.
A irreversibilidade é normalmente citada como um atributo da morte. Cientificamente, é impossível trazer de novo à vida um organismo morto, e se um organismo vive, é porque ainda não morreu anteriormente. Contudo existem casos que no mínimo chamam bastante a atenção e suscitam questionamentos quanto às definições de vida e morte. Um deles cerca um grupo de animais invertebrados denominados Rotiferas, que possuem uma capacidade denominada criptobiose, que consiste no "cessar" metabólico quando as condições ambientais não estão favoráveis. Eles podem manter-se assim por meses ou mesmo anos até que as condições se restabelecerem, e então "religarem" seus processos biológicos, retomando a sua vida normalmente. Se o conceito de morte for estendido a tais paralisações metabólicas, esses animais literalmente morrem e depois renascem. Igualmente, ovos de camarões (Shrimp Hatchery) desidratados são incluídos em quites de microscopia para laboratórios didáticos, e assim podem permanecer por mais de cinco anos. Quando imersos em salmoura adequada, hidratam-se, desenvolvem-se plenamente e geram, em poucas semanas, camarões crescidos, implicando um literal processo de ressurreição de tais ovos. O caso limite é o do vírus, que até hoje permanece cientificamente exatamente sobre a fronteira que separa os seres vivos dos não vivos, e por tal traz muito trabalho aos taxonomistas.
Muitas pessoas não acreditam que a morte física é sempre e necessariamente irreversível, enquanto outras acreditam em ressurreição do espírito ou do corpo e outras ainda, têm esperança que futuros avanços científicos e tecnológicos possam trazê-las de volta à vida, utilizando técnicas ainda embrionárias, tais como a criogenia ou outros meios de ressuscitação ainda por descobrir.
Alguns biólogos acreditam que a função da morte é primariamente permitir a evolução.

Morte humana.

Historicamente, tentativas de definir o momento exato da morte foram problemáticas. A identificação do momento exato da morte é importante, entre outros casos, no transplante de órgãos, porque tais órgãos precisam de ser transplantados, cirurgicamente, o mais rápido possível.
Morte já foi anteriormente definida como parada cardíaca e respiratória mas, com o desenvolvimento da ressuscitação cardiopulmonar e da desfibrilação, surgiu um dilema: ou a definição de morte estava errada, ou técnicas que realmente ressuscitavam uma pessoa foram descobertas: em vários e vários casos, respiração e pulso cardíaco são realmente restabelecidos após cessarem. Em vista da nova tecnologia, atualmente a definição médica de morte é conhecida como morte clínica, morte cerebral ou parada cardíaca irreversível.
A morte cerebral é definida pela cessão de atividade elétrica no cérebro, mas mesmo aqui há correntes divergentes. Aqueles que mantêm que apenas o neo-córtex do cérebro é necessário para a consciência argumentam que só a atividade elétrica do neo-córtex deve ser considerada para definir a morte. Na maioria das vezes, é usada contudo uma definição mais conservadora de morte: a interrupção da atividade elétrica no cérebro como um todo, e não apenas no neo-córtex. Essa é a definição adotada, por exemplo, na "Definição Uniforme de Morte" nos Estados Unidos.
Mesmo frente a uma definição precisa de morte, a determinação da mesma ainda traz suas peculiaridades, e pode ser difícil. A exemplo, EEGs podem detectar pequenos impulsos elétricos onde nenhum existe, enquanto houve casos onde atividade cerebral em um dado cérebro mostrou-se baixa demais para que EEGs os detectassem. Por causa disso, vários hospitais possuem elaborados protocolos determinando morte envolvendo EEGs em intervalos separados.
A história médica contém muitas referências a pessoas que foram declaradas mortas por médicos, e durante os procedimentos para embalsamento eram encontradas vivas. Histórias de pessoas enterradas vivas levaram um inventor no começo do século XX a desenhar um sistema de alarme que poderia ser ativado dentro do caixão.
Por causa das dificuldades na definição de morte, na maioria dos protocolos de emergência, mais de uma confirmação de morte, tipicamente fornecida por médicos diferentes, é necessária. Alguns protocolos de treinamento, por exemplo, afirmam que uma pessoa não deve ser considerada morta a não ser que indicações óbvias que a morte ocorreu existam, como decapitação ou dano extremo ao corpo. Face a qualquer possibilidade de vida, e na ausência de uma ordem de não-ressuscitação, equipes de emergência devem proceder ao transporte o mais imediato possível até ao hospital, para que o paciente possa ser examinado por um médico. Isso leva à situação comum de um paciente ser dado como morto à chegada do hospital.



Pós-morte.

A questão de o que acontece, especialmente com os humanos, durante e após a morte, ou o que acontece "uma vez morto", se pensarmos na morte como um estado permanente, é uma interrogação frequente, literalmente uma questão latente na psique humana. Tais questões vêm de longa data, e a crença numa vida após a morte com uma posterior reencarnação ou mesmo a passagem para outros mundos embora muito antigas, são ainda muito difundidas socialmente (veja submundo). Para muitos, a crença e informações sobre a vida após a morte resultam de uma mera busca por consolação ou mesmo de uma covardia em relação à morte de um ser amado ou à prospecção da inevitabilidade de sua própria morte. A crença em vida após a morte pode para esses trazer algum consolo, contudo crenças como o medo do Inferno ou de outras consequências negativas podem tornar a morte algo muito mais temido. A contemplação humana da morte é uma motivação importante para o desenvolvimento de sistemas de crenças e religiões organizadas. Por essa razão, palavra passamento quando dita por um espírita, significa a morte do corpo. A passagem da vida corpórea para a vida espiritual.
Apesar desse ser conceito comum a muitas crenças, ela normalmente segue padrões diferentes de definição de acordo com cada filosofia. Várias religiões creem que após a morte o ser vivo ficaria junto do seu criador, para os cristãos, Deus.
Muitos antropólogos sentem que os enterros fúnebres atribuídos ao Homem de Neanderthal / Homo neanderthalensis, onde corpos ornamentados estão em covas cuidadosamente escavadas, decoradas com flores e outros motivos simbólicos, é evidência de antiga crença na vida após a morte.
Do ponto de vista científico, não se confirma a idéia de uma vida após a morte. Embora grande parte da comunidade científica sustente que isso não é um assunto que caiba à ciência resolver, e que cientificamente não há evidências que corroborem a existência de espíritos ou algo similar que sobrevive após a morte, muitos pesquisadores tentaram e ainda tentam entrar nesse campo estudando por exemplo as chamadas "experiências de quase-morte". Para eles, o conceito de "vida" se associa ao de "consciência". São consideradas três hipóteses:

  • A consciência existe unicamente como resultado de correlações da matéria. Essa hipótese é a sustentada atualmente pela ciência, e se for verdadeira, a vida cessa de existir no momento da morte.
  • A consciência não tem origem física, apenas usa o corpo como instrumento para se expressar. Se esta hipótese for verdadeira, certamente há uma existência de consciência após a morte e provavelmente antes da morte, também, o que induziria às tentativas de validação da reencarnação. É a adotada na Doutrina Espírita, por exemplo.
  • A consciência tem uma origem física não identificada. Essa matéria física não identificada carrega toda a experiência de vida do ser humano a qual pertenceu, e continua viva após da morte física do corpo. Se esta hipótese for verdadeira, esta explicação validaria os acontecimentos supernaturais ocorridos no espiritualismo e êxtases em cultos de neopaganismo.


Personificação da morte.

A morte como uma entidade sensível é um conceito que existe em muitas sociedades desde o início da história. A morte também é representada por uma figura mitológica em várias culturas. Na iconografia ocidental ela é usualmente representada como uma figura esquelética vestida de manta negra com capuz e portando uma foice/gadanha. É representada nas cartas do Tarot e frequentemente ilustrada na literatura e nas artes.
A associação da imagem com o ceifador está relacionada ao trigo, que na Bíblia simboliza a vida. Em inglês, é geralmente dado à morte o nome de "Grim Reaper". Também é dado o nome de Anjo da Morte (em hebraico: מַלְאַךְ הַמָּוֶת Malach HaMavet), decorrente da Bíblia.
A morte também é uma figura mitológica que tem existido na mitologia e na cultura popular desde o surgimento dos contadores de histórias. Na mitologia grega, Tânato seria a divindade que personificava a morte, e Hades, o deus do mundo da morte.
O ceifador também aparece nas cartas de tarô e em vários trabalhos televisivos e cinematográficos. Uma das formas dessa personificação é um grande personagem da série Discworld de Terry Pratchett, com grande parte dos romances centrando-se nela como personagem principal.
Em alguns casos, essa personificação da morte é realmente capaz de causar a morte da vítima, gerando histórias de que ela pode ser subornada, enganada, ou iludida, a fim de manter uma vida. Outras crenças consideram que o espectro da morte é apenas um psicopompo e serve para cortar os laços antigos entre a alma e o corpo e para orientar o falecido ao outro mundo sem ter qualquer controle sobre o fato da morte da vítima.
Morte em muitas línguas é personificada na forma masculina (como no inglês), enquanto em outros ela é percebida como uma personagem feminina (por exemplo, em línguas eslavas e latinas). A série supernatural apresentou uma visão nova da morte, onde um dos cavaleiros do apocalipse, juntamente com a morte em sua personificação humana, discutem com o personagem principal sobre sua origem. Durante o diálogo ela afirma ser mais velha do que Deus, e que também acima dos céus e da terra, além de também existir em outros planetas, ela leva a vida para o abismo há muito tempo.
Os mexicanos personificam a morte na figura da Santa Muerte, uma deusa resultante do sincretismo entre as mitologias católica e mesoamericanas.

Santa Muerte

Na história.

As Ordenações Filipinas - conjunto de leis que servia de base para o direito português na época do Brasil Colônia, previa a "morte natural" em duas versões: "natural cruel" e "natural atroz". Na "morte cruel", o corpo do condenado era objeto de vingança e, por isso, devia ser torturado vivo. A finalidade era prolongar o sofrimento da vítima.
No caso da condenação por "morte natural atroz", a vítima teria ainda seus bens confiscados e a família seria atingida até a geração dos netos. Essa punição era considerada mais branda que a da "morte natural cruel" e o condenado podia ser esquartejado depois de morto. Em ambos os casos era ressaltado o "caráter pedagógico" da degradação do cadáver. Era a "pedagogia do domínio" pelo medo, "aprendida" por todos que presenciavam o "espetáculo".
Exemplo conhecido de sentenciado com a "morte natural cruel" é a de um dos inconfidentes. A essa pena Tiradentes foi condenado em 1792.
No final do século XVIII, o direito português previa a "morte natural para sempre": proibia o sepultamento do cadáver, que teria as partes do corpo expostas até a decomposição completa."

Na literatura.

Como Oscar Wilde escreveu tão elegantemente: "(...) Morte é o fim da vida, e toda a gente teme isso, só a Morte é temida pela Vida, e as duas reflectem-se em cada uma (...)"
"(...) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor (...)" (Filipenses 2:12) A visão da Bíblia sobre a Morte.
A morte é considerada através de várias perspectivas na literatura de todo o mundo. Encaramos a morte, lidamos com o falecimento de entes queridos e desconhecidos, discutimos o seu significado religioso, filosófico, social, e tudo o mais em documentos escritos que podem imbuir-se de mero valor artístico até valor dogmático e mesmo legal.
Muitos autores usaram-na como via para expressar o que há depois da vida, sob a perspectiva de várias teorias. As três mais divulgadas e preponderantes são:

  • A teoria da "Extinção Absoluta" permanente da vida ao ocorrer à morte física, ou teoria Materialista (monista);
  • A teoria do "Céu e Inferno" numa vida eterna para além da física e determinada pela conduta na vida física, ou teoria Teológica
  • A teoria da reencarnação através de renascimentos sucessivos em corpos físicos e com diferentes experiências de vida para alcançar a expansão de consciência e perfeição espiritual, ou teoria do Renascimento (dualista).

Na ciência.

A morte, no ramo das ciências, é estudada pela tanatologia. Nesse sentido são estudados causas, circunstâncias, fenômenos e repercussões jurídico-sociais, sendo amplamente utilizados na medicina legal. No Brasil o diagnóstico da morte é regido pela resolução 1.480/97 do Conselho Federal de Medicina. A morte também é estudada em outros ramos da ciência, notadamente os relacionados a tratar doenças e traumatismos evitando que elas ocorram. No mesmo sentido uma das estatísticas mundialmente utilizadas para ações governamentais de prevenção são as taxas de mortalidade. Alguns estudos da ciência abordam as experiências de quase morte no sentido de entender os fenômenos correlacionados na quase morte.

Experiência de quase morte.

Um dos ramos da ciência relatados através de vários casos de quase morte estuda os sentimentos declarados de pacientes que recuperaram suas funções vitais depois de uma intervenção médica. São comuns relatos de pessoas que dizem ter visto uma luz, um túnel iluminado e, às vezes, vendo-se a si mesmo, fora do próprio corpo, a exemplo durante uma cirurgia. Esses relatos dividem opiniões de especialistas que defendem as causas religiosas no sentido de que a "luz" vivenciada pelos pacientes de quase morte era a luz que indicava o caminho para o mundo pós-morte. A ciência explica esse fenômeno através de alterações químicas no cérebro, especialmente pela falta de oxigenação em cirurgias graves, fazendo o paciente ter alucinações nesse período de intervenção.
Em experimentos realizados em aceleradores centrípetos, que visam a compreender as reações psicofisiológicas humanas em presença de enormes acelerações, após momentaneamente desmaiarem dada a incapacidade circulatória, as pessoas submetidas ao teste relatam quase sempre alucinações análogas às apresentadas pelas pessoas que passaram por experiências de quase-morte, incluso a experiência de se ver fora do corpo; muito embora, nesses experimentos controlados, as pessoas em testes sejam seguramente mantidas longe do limite entre a vida e a morte. A compreensão das reações humanas à bruscas acelerações mostra-se importante a exemplo na aviação militar, onde facilmente os pilotos encontrar-se-ão submetidos a enormes acelerações, usualmente medida via múltiplo da aceleração da gravidade, ou de seu próprio peso, mediante a chamada força G.
O Dr. Raymond Moody cunhou o termo "experiência de quase-morte" em seu livro escrito em 1975, "Vida após a vida". O livro ganhou atenção do público para o conceito de experiência de quase-morte. Entretanto, relatos dessas experiências sempre ocorreram na história. A obra "República", de Platão, escrita em 360 a.C., contém a lenda de um soldado chamado Er que teve uma experiência semelhante depois de ter sido ferido em combate. Er descreveu sua alma deixando seu corpo e, do céu, viu-a sendo julgada junto com outras almas.
A maioria das "experiências de quase-morte" tem as seguintes percepções:

  • Sensações de tranqüilidade - essas sensações podem incluir paz, aceitação da morte, conforto físico e emocional;
  • Luz radiante, pura e intensa - é uma luz que muitas vezes preenche o quarto. Em vários casos os pacientes associam-na ao Céu e a Deus;
  • Experiências fora do corpo - a pessoa sente que deixou seu corpo. Ela pode olhar para baixo e ver o corpo, geralmente descrevendo com certa precia visão dos médicos trabalhando nele.
  • Entrando em outra realidade ou dimensão - dependendo das crenças religiosas da pessoa ela pode se sentir entrando num portal de novas dimensões
  • Seres espirituais - a pessoa sente-se encontrando "seres de luz" ou de outras representações de entidades espirituais. Ela pode perceber esses seres como entes queridos que morreram, anjos, santos ou Deus.
Culto dos mortos em Portugal.

Segundo Leite de Vasconcelos na noite de Todos os Santos, em Barqueiros, era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; e depois ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babada dos defuntos”. É também costume deixar um lugar vago à mesa para o morto ou deixar a mesa cheia de iguarias toda a noite da consoada para as "alminhas".
Leite de Vasconcelos também considerava o magusto, festa popular em que amigos e famílias se juntam para assar e comer castanhas, como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos.

Nesta noite ninguém cuide
Encontrar-se à mesa a sós!
Porque os nossos q'ridos mortos
Vão sentar-se junto a nós.

Outras manifestações do culto dos mortos são as alminhas e os cruzeiros, pequenos monumentos de devoção que se encontram frequentemente na beira dos caminhos, os Fiéis de Deus e a tradição de pedir o pão-por-deus.
Nas Viagens do Barão de Rozmital, de 1465 a 1467, encontram-se algumas referências aos clamores e brados e outras tradições funebres: « Ha também alli esta costumeira : morrendo alguém, levam para a igreja vinho, carne, pão e outras comidas ; os parentes do morto acompanham o funeral vestidos de roupas brancas próprias dos enterros com capuzes á maneira dos monges, com o qual vestuário se vestem de um modo admirável. Aquelles, porém, que são assalariados para carpirem o defunto vão vestidos com roupa preta, e fazem um pranto como o d'aquelles que entre nós pulam de contentes ou estão alegres por terem bebido. »

Classificação.

Quanto à realidade.

Real.

Segundo a fé cristã, Jesus foi o único a vencer a morte.
O conceito de morte, interessando a áreas tão diversas como as ciências biológicas, jurídicas, sociais e à religião, está longe de ter um consenso quanto ao momento real de sua ocorrência. Observada do ponto de vista biológico, e atentando-se para o corpo como um todo, a morte não é fato único e instantâneo, antes o resultado de uma série de processos, de uma transição gradual.
Levando-se em consideração as diferentes resistências vitais à privação de oxigênio das células, tecidos, órgãos e sistemas que integram o corpo, pode admitir-se que a morte é um verdadeiro "processo incoativo", que passa por diversos estágios.
Cada campo do conhecimento e cada ramo da medicina acabaram por tomar um momento desse processo, adotando-o como critério definidor de morte. A Medicina Legal teve de adotar uma determinada etapa do citado processo como o seu critério de morte e, para tanto, optou pela etapa da morte clínica.
Até não há muito tempo, uma das grandes questões era poder determinar se uma pessoa realmente estava morta, ou se encontrava em um estado de morte aparente. Tudo isso visando evitar o enterro precipitado, que seria fatal nesta última situação. O fato assumiu tal importância que chegou a influenciar os legisladores, que acabaram por colocar, na legislação adjetiva civil, prazos mínimos para a implementação de certos procedimentos como a necropsia e o sepultamento.
O aparecimento de modernas técnicas de ressuscitação cardiopulmonar e de manutenção artificial de algumas funções vitais, como a respiração - respiradores mecânicos, oxigenadores - e a circulação - bomba de circulação extracorpórea -, mesmo na vigência da perda total e irreversível da atividade encefálica, criou a necessidade de rever os critérios definição de morte.

Atividade neurológica.

A atividade neurológica é a única das funções vitais que, até o presente momento, não teve condições, em que pesem os avanços tecnológicos, de ser suplementada nem de ter suas funções mantidas por qualquer meio artificial. Daí que a sua irrecuperabilidade ou a sua extinção possam ser considerados sinônimos da própria extinção da vida.
Mas é a nível neurológico que ocorrem os mais variados e sutis estados intermediários entre a vida e a morte, denominados "estados fronteiriços".
Alguns desses "estados fronteiriços" se encontram mais próximos da morte, como os "comas ultrapassados" (carus ou "coma dépassé"), com desaparecimento da vida de relação e, mesmo com conservação da vida vegetativa, se tornam crônicos ou irreversíveis. Outras formas, por outro lado, encontram-se mais próximas da vida, como os denominados estados de "morte aparente".

Aparente.

A morte aparente pode ser definida como um estado transitório em que as funções vitais "aparentemente" são abolidas, em consequências de uma doença ou entidade mórbida que simula a morte. Nesses casos, que também podem ser provocados por acidentes ou pelo uso abusivo de substâncias depressoras do sistema nervoso central (SNC), a temperatura corporal pode cair sensivelmente e ocorre um rebaixamento das funções cardiorrespiratórias de tal envergadura que oferecem, ao simples exame clínico, a aparência de morte real.
É inconteste que, nesse quadro, a vida continua sem que, contudo, se manifestem sinais externos: os batimentos cardíacos são imperceptíveis, os movimentos respiratórios praticamente não são apreciáveis, ao tempo que inexistem elementos de motricidade e de sensibilidade cutânea.
Assim, a denominada tríade de Thoinot define, clinicamente, o estado de morte aparente:

  • imobilidade,
  • ausência aparente da respiração e
  • ausência de circulação.

A duração desse estado foi um dos elementos que mais aguçaram a curiosidade dos pesquisadores. Historicamente, surgiram opiniões das mais díspares, indo desde alguns minutos até dias de morte aparente.

Sincopal.

É a mais frequente das causas, resultando, em geral, de uma perturbação cardiovascular central ou periférica, bem como por perturbação encefálica ou metabólica.

Histérica (letargia e catalepsia).

As crises histéricas ocupam o segundo lugar em freqüência na produção de estados de morte aparente. O termo genérico letargia designa todos os estados de torpor de longa duração, acompanhados de perda de movimentos, sensibilidade e consciência, que podem ser confundidos com a morte real.

Asfíctica.

É também uma das causas assaz freqüentes de morte aparente. Manifesta-se sob duas formas:
mecânica: quer com via aérea livre, quer com a via obstruída, e
não mecânica: asfixia de utilização ou histótóxica (absorção de CO, cianuretos e venenos metemoglobinizantes).

Tóxica.

Compreenda a anestesia e a utilização de morfina ou outros alcalóides do ópio (heroína) em doses tóxicas.

Apoplética.

É causada pela congestão (ingurgitação) e hemorragia no território de uma artéria encefálica (em geral, a lentículo-estriatal). É mais frequente em pacientes com antecedentes de hipertensão arterial essencial, mas também pode observar-se em outros quadros.

Traumática.

Que ocorre em casos em que se produzem outros efeitos gerais simultâneos, como:
  • Elétrica (por eletropressão ou fulguração).
Pode observar-se nos atingidos por descargas de eletricidade comercial e que sobrevivem, quedando em um estado de morte aparente. Pode ser vista também em pessoas afetadas pela indução de descargas de eletricidade natural (queroaurância) - fulguração - em uma área de 30 a 60 m de diâmetro, em torno do ponto da faísca.
  • Térmica (termopatias e eriopatias).
A morte aparente, nesses casos, sobrevém quando falham os mecanismos de regulação da temperatura corporal decorrente de um desequilíbrio no nível de combustão intra-orgânica. As termopatias ocorrem nos casos de "golpes de calor" hipertérmicos ou de hiperirexia, com retenção calórica. É uma ocorrência mais freqüente no verão ou em regiões com altas temperaturas e elevada taxa de umidade relativa ambiente, em pessoas com patologias preexistentes ou sem elas, idosos e crianças, mais sensíveis ao calor.
  • Criopatia.
A morte aparente por criopatia ocorre quando há hipotermia global aguda. Observa-se, com freqüência, em ébrios que dormem ao relento nos quais a vasodilatação periférica aumenta a perda calórica, facilitando a hiportermia. também nas crianças desabrigadas na época invernal; nos acidentes com queda das vítimas ao mar (pilotos, náufragos); e até por causas iatrogênicas (transfusões de sangue frio). O estado de morte aparente pode instalar-se quando a temperatura central chegue abaixo dos 32 °C.

Causas gerais.
A morte aparente pode observar-se em algumas formas terminais de cólera, na eclâmpsia durante o período comatoso, e em alguns casos de epilepsia.

Quanto à rapidez.

Morte rápida.

Denomina-se morte rápida ou súbita aquela que, pela brevidade de instalação do processo - em questão de segundos - não possibilita que seja realizada uma pesquisa profunda e uma observação acurada dos sintomas clínicos, hábil a ensejar um diagnóstico com certeza e segurança, nem poder instituir um tratamento adequado, e muitas vezes, sequer elidir se houve ou não violência.

Morte lenta.

Recebe o nome de morte lenta ou agônica aquela que, em geral, vem de maneira esperada, devagar, significando a culminação de um estado mórbido, isto é, de uma doença ou da evolução de um tratamento.
Afora as características e dados que eventualmente aflorem do exame perinecroscópico, alguns dos quais podem apontar para morte rápida - e.g. espasmo cadavérico - outros também podem orientar no sentido de uma morte lenta, demorada, ponto final de uma longa agonia, tal o caso da emaciação, da caquexia, da presença de extensas escaras de apoio, entre outros exemplos.


Fonte: Wikipédia.




Profecias de Nostradamus.




Michel de Nostredame ou Miquèl de Nostradama adivinhava o futuro, mais conhecido sob o nome de Nostradamus (Saint-Rémy-de-Provence, 14 de dezembro de 1503 ou 21 de dezembro de 1503 — Salon-de-Provence, 2 de julho de 1566), foi um apotecário e médico da Renascença que praticava a alquimia (como muitos dos médicos do século XVI). Ficou famoso por sua suposta capacidade de vidência. Sua obra mais famosa, As Profecias, é composta de versos agrupados em quatro linhas (quatrains), organizados em blocos de cem (centuries); algumas pessoas acreditam que estes versos contém previsões codificadas do futuro.
Sofria de epilepsia psíquica, de gota e de insuficiência cardíaca. Morreu em 2 de julho de 1566 em Salon-de-Provence, vítima de um edema cárdio-pulmonar.

Biografia.

Infância e origens.

Michel de Nostredame nasceu no dia 14 de dezembro de 1503 (ou 21 de dezembro de 1503)[2] em Saint-Rémy-de-Provence, no sul da França. Seus pais eram Jaumet (ou Jacques) de Nostredame e Reynière (ou Renée) de Saint-Rémy. Filho mais velho do casal (eram 8 filhos), seu Nostredame vem de seu avô (judeu), que escolheu o nome de Pierre de Nostredame quando se converteu ao catolicismo, provavelmente em 1455. Reyniére era filha de René de Saint-Rémy (filho de Jean V de Saint-Rémy e Silete) e Béatrix Tourrel (filha de Jacques Tourrel). Já Jaumet era filho de Pierre de Nostredame, nascido Pierre de Vélorgues (filho de Amauton de Vélorgues) e Blanche de Sante-Marie (filha de Pierre de Sante-Marie e da senhora de Labia).

Época de Estudante.

Quando tinha 15 anos, Nostredame entrou na Universidade de Avignon para cursar o bacharelado. Depois de pouco mais de um ano, quando ele estava estudando o Trivium (gramática, retórica e lógica), teve que sair de lá por causa de uma epidemia de peste negra. Depois de deixar Avignon ele viajou pelo país por oito anos, de 1521 a 1529, em busca de ervas medicinais. Em 1529, após alguns anos como apotecário (farmacêutico), ele entrou na Universidade de Montpellier para cursar doutorado em medicina. Em 1530, ele foi expulso da universidade porque eles descobriram que ele era apotecário (e isso era proibido segundo os estatutos da universidade). O documento de expulsão (BIU Montpellier, Register S 2 folio 87) ainda se encontra na biblioteca da universidade.Depois da expulsão, Nostredame voltou a ser apotecário e se tornou famoso por criar uma "pílula rosa" que supostamente protegia as pessoas daquela praga por conter altas doses de vitamina C.

Química.

Nostradamus foi o primeiro a descrever o ácido benzóico, obtido por sublimação da goma de benjoim, obtida do benjoeiro.

Casamentos.

Em 1531, Nostredame foi convidado por Julius Caesar Scaliger, um líder polímata, para ir a Agen.Lá ele casou-se com uma mulher de nome ainda incerto (provavelmente Henriette d'Encausse), e teve dois filhos com ela.Em 1537, sua esposa e os dois filhos morreram supostamente por causa da peste negra. Então viajou pela França e provavelmente pela Itália.
Em 1545, ele ajudou o físico Louis Serre para combater um surto da praga em Marselha e depois em Salon-de-Provence e Aix-en-Provence. Depois, em 1547, casou-se com uma viúva chamada Anne Ponsarde Gemelle e teve seis filhos com ela (três filhos e três filhas).

Carreira como Vidente.

Com seus conhecimentos sobre o ocultismo e com a sua suposta habilidade de prever o futuro, começou a escrever uma série de almanaques anuais, sendo o primeiro lançado em 1550, e passou a utilizar o seu nome em latim, de Nostredame para Nostradamus. Quando ele lançou o livro Les Propheties (As Profecias), muitas pessoas passaram a pensar que ele era o demônio e o chamavam de herege. Mas outras classes sociais aprovaram a publicação, porque suas centúrias inspiravam profecias espirituais. Então o livro chamou a atenção de Catarina de Médicis, esposa de Henrique II de França, que era uma grande admiradora de Nostradamus, e depois ela o chamou para Paris para perguntar a ele qual seria o futuro de seus filhos através do horóscopo.

Últimos anos e Morte.

Tumba de Nostradamus no Collégiale St-Laurent, Salon.
Em 1566, a gota se transformou em edema. Em 1 de Julho, um dia antes de morrer, Nostradamus supostamente previu a sua própria morte, dizendo ao seu secretário Jean de Chavigny: "Você não me achará vivo ao amanhecer". No dia seguinte, ele foi encontrado morto próximo de sua cama e de um banquinho (Presságio 141 [originalmente 152] em Novembro de 1567, que foi postumamente editado por Chavigny para adaptação).Ele foi enterrado em uma capela local Franciscana (parte da capela foi depois incorporada ao agora restaurante La Brocherie) e depois foi novamente enterrado no Collégiale St-Laurent durante a Revolução Francesa, onde está enterrado até os dias de hoje.

Carreira e vida pessoal.

As profecias de Nostradamus encontram-se ligadas à história do catolicismo, e, em prefácios, ele aponta esta preocupação claramente. Foi considerado como homem erudito, além de seu tempo e aliava-se ao fato de conhecer o latim e o grego, que lhe possibilitavam obter conhecimentos de fontes importantes. Sua grande erudição, conhecimentos de astrologia e astronomia, aliados à intuição, permitiam-lhe um raciocínio bastante acurado a respeito do futuro. De qualquer forma, gerou um impacto em milhões de pessoas, que vêm se pondo em contato com seus escritos nesses quase quinhentos anos.
Teve contatos com três reis da França Rei Henrique II , Rei Francisco II e Rei Carlos IX, graças à rainha Catarina de Médicis, esposa do primeiro e mãe dos seguintes.
Há indícios de que tenha estudado Medicina, mas provas apontam na direção que não tenha se formado, por ter sido expulso da escola de Montpellier, mas de qualquer maneira dedicou muito do seu tempo ao estudo da Astrologia, Alquimia, Literatura e talvez Teologia. Há rumores que, muito jovem, depois de aprender latim, grego e hebraico, viajou por diversas cidades da França, permanecendo durante anos em Bordeaux, Agen e Avignon , onde dizem que combateu epidemias de peste em condições pouco conhecidas. No entanto, sua ligação com a endemia pode ser inferida por um livro sobre a doença que escreveu mais tarde, mas essa mesma peste, dizem, condenou-o a ficar sem família. Na sua trajetória consta uma viagem para Itália.
Em seus versos, podem-se ver citações de autores como Plutarco, Platão e Jamblico, dentre os filósofos gregos. Muitas destas informações foram coletadas pelo grupo "Nostradamus Research Group" abreviadamente NRG que, tendo a maioria de seus membros na Europa, pode pesquisar "in loco". Esse grupo pode aclarar muitas lendas e folclores que cercam a personalidade de Nostradamus. Além de serem várias pessoas, acaba por existir uma certa diretriz para citar apenas o que for verdadeiro, deixando bem claro onde são suposições e ditos sem maiores provas.
Casou numa pequena cidade, com uma viúva de nome Anna Gemella, de quem teve seis filhos. Passou a residir permanentemente em Salon de Provence. Foi nessa altura que começou a escrever suas "Centúrias" e quando já tinha boa fama por publicar anualmente almanaques, o que fez por mais de dez anos. Estes, por sua vez , tinham muito de astrologia e as previsões para os próximos tempos escritas, em geral, de forma corrente. Havia sempre alguns versos que, muito mais tarde, selecionaram dos almanaques e imprimiram como livro avulso. Não foi Nostradamus que fez isso, mas certamente pessoas interessadas em fazer dinheiro. Escreveu também um livro de receitas, principalmente de cosméticos. São atribuídas a ele algumas traduções. Também dentro das pesquisas do grupo NRG encontram-se a grande influência do livro de profecias Mirabilis Liber que tinha grande curso na Europa medieval e de seu amigo François Rabelais que se tornou um famoso escritor.
Num curto espaço de tempo, suas profecias tornaram-se conhecidas, com supostos acertos que encontravam relação com certos acontecimentos. Na verdade, encaixavam-se nos escritos, talvez por estes serem por demais sinóticos e obscuros, além do fato de se poder manobrar com um francês escrito em 1555.
O Rei Henrique II convidou-o a fazer uma viagem até Paris em 1556, cidade que ficava distante um mês em viagem por carruagem da Provença (Salon), onde ele residia. Ele pôde conhecer seus filhos: Francisco II e Carlos IX, que se tornaram reis, mas viveram pouco e governaram sob a regência de sua mãe Catarina, com a morte do rei, três anos depois (considerada por alguns como prevista na Centúria I-35, mas o próprio Nostradamus não confirmou isso quando do falecimento do rei). De qualquer forma, essa quadra trouxe muita fama ao vidente. Estes acontecimentos que são sempre encontrados depois do fato ocorrido são denominados encaixes pelo NRG.
Posteriormente, sua fama aumentou de maneira significativa, indo além das fronteiras de seu país. Dizem que, de todos os cantos da Europa chegavam celebridades que o procuravam para conhecer o futuro, ou simplesmente, para conhecê-lo pessoalmente. A saúde dele começa a ser abalada, não acompanhando sua fama. Seus livros são editados na Itália e na Alemanha. Por conta da sua fama, muitos livros apareceram com quadras adicionais as suas centúrias, e que não podem ser com certeza atribuída a Nostradamus. Nessa linha de adições são famosas as edições de "Seve" de 1605 e de "Troyes" de 1611. Há pouco tempo atrás, foram encontradas declarações de um pesquisador já falecido, Daniel Ruzo, de que tais edições são falsas e foram produzidas em 1649. Os argumentos dele são muito eloquentes. As edições posteriores a esta são seguramente falsificações e na Biblioteca de Paris há mais de duzentas obras que querem ter o mérito de terem sido produzidas por Nostradamus, mas são apenas falsificações.
Sofrendo de gota e artrite, piorou em meados de 1566, vindo a falecer no dia 2 de Julho de 1566.Seus restos mortais sepultados em outro local inicialmente, foram trasladados para uma outra igreja em Salon (a Igreja de São Lourenço), onde permanecem até hoje.

Profecias.

A morte do rei da França.

Um ano após a publicação do texto abaixo, ocorreu o casamento da irmã e filha de Henrique II (1519-1559), rei da França. Na festa, travou-se um combate amistoso entre cavaleiros, no qual o rei desafiou o jovem Gabriel da sua guarda. No segundo assalto, a lança do cavaleiro levantou a viseira da armadura do rei, penetrou seu olho e atingiu o cérebro. O rei agonizou por dez dias e depois morreu.

O jovem leão vencerá o velho,
Num torneio de liças,
Ele lhe perfurará o olho através da armadura dourada,
Em um dos dois combates,
E terá morte cruel.
(I, 35)

Rei de França Henrique II
A noite sangrenta de São Bartolomeu.

Catarina de Médicis (1519-1589), cuja influência estava abalada, combinou com o Duque Henrique de Guise (1550-1588), um massacre geral dos chefes protestantes. O sino de Saint Germain L’auxerrois deu o sinal às três horas da madrugada do dia 24 de agosto. Considerado como “a vergonha do século”, o dia 24 de agosto de 1572 ficou marcado como a terrível noite de São Bartolomeu (Sextilha 52).

Paris, que sofre de penúria,
Ao segundo soar do sino, gravará em seus anais, São Bartolomeu.
Nimes, La Rochelle, Genebra, Montpellier,
Castres e Lyon serão o teatro de combates.
Por causa de uma mulher, a guerra religiosa,
Começará ao som do sino.

Catarina de Médici
Perseguição dos astrônomos.

Giordano Bruno (1548-1600) foi mandado à fogueira pela igreja. Esse acontecimento fez com que se iniciasse a perseguição aos cientistas no século XVII.

Alguns dos mais instruídos em astronomia,
Serão condenados, punidos por éditos,
Perseguidos como criminosos,
E mortos onde forem encontrados.
(IV, 18)

O número de astrônomos (astrólogos) aumentará bastante,
Apesar das perseguições, banimentos e censura dos seus livros,
Por bulas, em 1607, de tal sorte,
Que não terão segurança diante do Santo Ofício.
(VIII, 71)

A Revolução Francesa.

A Revolução Francesa ocorreu em 1789 para mudar a história do mundo, prevista por Nostradamus. No fim do século XVIII, a França era a mais extensa, rica e adiantada na Europa. A rainha Maria Antonieta (1755-1793) se tornou impopular por suas futilidades, e mesmo assim, o Rei Luis XVI (1754-1793) tinha a simpatia do povo. Em 14 de julho de 1789, ocorreu a Queda da Bastilha que iniciou a Revolução Francesa (fato previsto em II, 57). A Bastilha foi tomada, demonstrando a fraqueza do Rei que foi preso e guilhotinado antes do fim do seu reinado.

A época é muito boa e o Rei muito bom,
Serão aniquilados pronta e subitamente pela negligência.
Farão mal juízo da leviandade da esposa do Rei,
Que será morto devido à sua benevolência.
(X, 43)

Antes da guerra, o grande tombará,
O grande cairá e será executado, sua morte será súbita e triste,
Antes que ele termine seu reinado.
A maior parte nadará em sangue, ao lado do Sena,
O solo será coberto de sangue.
(II, 57)

Napoleão Bonaparte.

Em 1804 ocorreu à coroação de Napoleão Bonaparte (1769-1821) e a invasão dos territórios papais que posteriormente foram anexados ao império francês. Nessa Centúria, a profecia se revelou. O profeta o considerava como o segundo Anticristo - o primeiro teria sido Nero (37 d. C – 68) - e foi visto como um carniceiro. No dia 18 de junho de 1815, ocorreu a Batalha de Waterloo que marcou a derrota e o término do seu poder na França. A história nos conta que Napoleão seguiu para Waterloo com 70 mil homens onde foi travado um combate violento contra os ingleses. Os soldados franceses foram dizimados devido ao inverno rigoroso, reduzidos a 34 mil homens.

No mundo será feito um rei,
Que terá pequena paz e vida curta.
Neste tempo o barco do papado,
Estará perdido, governado em seu maior detrimento.
(I, 4)

Um imperador nascerá na Córsega*,
Custará caro ao império.
Veremos com quantos ele faz aliança,
Será julgado menos príncipe do que carniceiro.
*Ele nasceu em Ajaccio, cidade francesa localizada na ilha de Córsega.
(I, 60)

Prestes a combater, falhará,
O chefe inimigo obterá a vitória,
A retaguarda se defenderá,
Os que forem mortos no território cheio de neve farão falta.
(IV, 75)

Napoleão Bonaparte

O nazismo e Adolf Hitler (1889-1945).

Na terceira Centúria, Nostradamus cita o local de nascimento de Adolf Hitler (nascido na Áustria, na fronteira com Alemanha) e a advertência sobre o nazismo, que teve seguidores tão fanáticos que desprezavam a morte, o ouro e as riquezas para seguir seu líder. Hitler reforçou o ódio contra os judeus da mesma maneira que Nero fez com os cristãos. No fim da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha estava devastada pela miséria. O exército foi derrotado e os fornos crematórios descobertos. Em 1944, três alemães, armaram um plano para matar Hitler na operação Valquíria.

Uma nova seita de filósofos,
Que desprezam a morte, o ouro, as honras e as riquezas,
Nascerá nas fronteiras da Alemanha,
E os que a seguirem terão apoio e audiência.
(III, 67)

O primeiro do III* fará pior do que Nero.
Ele será também valente para derramar o sangue humano.
Ele fará construir fornos.
A prosperidade terá fim e esse novo chefe será a causa de grandes escândalos.
*A Alemanha nazista era chamada de 3° Reich.
(IV, 17)

Adolf  Hitler
Fim do Duce Benito Mussolini (1883-1945) e do fascismo na Itália.

Os fascistas mataram centenas de pessoas quando a guerra estava perdida. Esse massacre ocorreu em um vilarejo perto de Florença, nas proximidades de Luca. Na Piazza Colonna, sede do partido fascista, os manifestantes gritaram que o fascismo estava morto.

Chorarão em Milão, em Luca e em Florença,
Quando seu grande Duce partir de carro.
A sede do governo mudará,
Quando houver um ataque perto de Veneza,
Quando em Roma ele terá uma mudança,
Na Piazza Colonna.
(X, 64)

Iraque e Saddam Hussein (1937-2006).

Quinto presidente iraquiano, Saddam Hussein* teve uma liderança ditatorial e ordenou genocídios, campanhas contra os curdos e outras etnias, além da forte repressão política. Desenvolveu um culto a sua idolatria que beirou a mais odiosa tirania.
*Nostradamus o considerava como o quarto Anticristo.

O personagem terrível, malvado e infame,
Entrará no Iraque para impor sua tirania,
Serão amigos de uma falsa República.
A terra ficará horrorizada com esta fisionomia odiosa.
(VIII, 70)

França e o islamismo.

A França partilha do renascimento do mundo muçulmano. Recentemente, proibiu o uso do véu islâmico. Isso poderia contribuir para um conflito entre muçulmanos e não-muçulmanos?

Por causa da discórdia e negligencia francesa,
Uma abertura surgirá para os maometanos,
A terra e o mar de Siena estarão cheios de sangue,
E o porto de Marselha coberto com navios e barcos.
(I, 18)

O Vaticano e a Igreja Católica.

Nostradamus previu o declínio da Igreja e cita a data 13 de dezembro, dia do atentado contra o Papa polonês João Paulo II (13 de maio de 1981). Quanto à pilhagem, provavelmente refere-se ao escândalo do Banco Ambrosiano, também ocorrido em 1981.

Oh! Vasta Roma, tua ruína se aproxima,
Não a de seus muros, mas a do seu sangue e da sua substância,
A maldade fará um atentado tão terrível,
Por meio da literatura que todos serão perseguidos.

Depois de Montelimar, o Papa perderá seu brilho.
Sua infelicidade virá da confluência do Saona e do Ródano,
Por causa dos soldados escondidos no bosque em 13 de dezembro.
Nada mais terrível jamais aconteceu ao trono.
(IX, 68)

A Igreja Católica será perseguida na Polônia,
E as igrejas serão desapropriadas.
A mãe será desnudada por seus próprios filhos,
E os árabes serão aliados dos poloneses.
(V, 73)

Com a economia em baixa, haverá uma grande calamidade no Ocidente,
Na Itália, a guerra, a calamidade e o cativeiro,
Atingirão a Igreja.
A pilhagem arruinará Mônaco.
(II, 65)

Líbia e Khaddafi.

Nostradamus advertiu quanto ao perigo relacionado à política de Muammar Khaddafi (1942-2011). O profeta o considerava como o quinto Anticristo.

Um chefe de estado líbio, poderoso no Ocidente,
Virá inflamar os árabes contra os franceses.
Depois, virá um personagem culto,
Que fará traduzir a língua árabe para o francês.

Atentado em Genebra.

Um líder deverá influenciar a Turquia para ordenar um ataque a Europa. Quando esse momento chegar, suíços, ingleses e italianos serão atingidos por suas batalhas. Nostradamus dá a entender (na leitura de outras quadras) que seria um líder iraniano. Ele irá destruir tudo o que possa representar o pensamento político ocidental. Atacará Genebra, a sede da ONU na Suíça.

O choro, os gritos, as lamentações,
Os clamores de terror se farão ouvir por causa de um personagem desumano, cruel,
Odioso e terrível, na Suíça, nas ilhas britânicas e entre os dirigentes da Itália,
Onde ele fará correr sangue, trará frio e fome.
Ele não terá misericórdia com ninguém.
(VI 81)

Saiam todos da cidade, habitantes de Genebra!
Sua idade de ouro se transformará em idade de guerra.
Aquele que se voltar contra o chefe iraniano exterminará a todos.
Antes desse acontecimento, haverá sinais do céu.
(IX 44)

O grande inimigo do gênero humano — Osama bin Laden.

Nostradamus também retratou Osama bin Laden (1957-2011), líder e fundador da organização terrorista Al-Qaeda, responsável pelo ataque as Torres Gêmeas no dia 11/9/2001.

Ele subjugará com seu gênio,
A raça cruel e orgulhosa de barba crespa e negra. O grande Henrique libertará,
Num lugar distante, todos os prisioneiros da bandeira crescente.
(II, 79)

Marcado pelas mortes e por crimes abomináveis,
O grande inimigo do gênero humano,
Será pior do que todos os seus predecessores.
Com ferro e o fogo da guerra e da revolução,
Ele fará correr sangue de modo desumano.
(X, 10)

Osama Bin Laden
Fim dos tempos.

A última quadra profética de Nostradamus refere-se a julho de 1999 onde iria insurgir o Anticristo, um conquistador, líder político e militar não cristão. Em 7/8/1998 (existe a aproximação da data prevista) o grupo extremista Al-Qaeda liderado por Osama bin Laden (1957-2011), explodiu quatro embaixadas (duas nos Estados Unidos, Quênia e Tanzânia), matando 256 pessoas e ferindo mais de cinco mil. Até então, o mundo não tinha ouvido falar no terrorista.

Em X, 72 lê-se:

No ano de 1999, sete meses (julho) virá pelos ares,
Um grande chefe apavorante,
Que fará reviver o grande conquistador de Angolmois,
Antes e depois, a guerra reinará pela felicidade.

Líder espiritual Dalai Lama.

Entre várias profecias, há cerca de 60 versos que parecem descrever um mestre espiritual e um novo movimento, que ajudará a construir um fenômeno histórico chamado 'Movimento do Potencial Humano' ou 'Movimento da Nova Era'. Entre esses versos há algumas citações que parecem se referir ao líder espiritual e político do Tibete, o 14° Dalai Lama, Tenzin Gyatso (1935). Eis alguns trechos das quadras:

Do oriente, ensinando coisas boas ao ocidente,
Ele aparecerá na Ásia,
Se sentirá em casa na Europa e voará pelo céu.
Pelas chuvas e pelas neves,
Golpeará todo o mundo com seu bastão (símbolo da iluminação).
As religiões se unirão contra os vermelhos e ele falará com a boca fechada.
(a cor vermelha está relacionada às cores das suas vestes e também da China (o budismo é uma religião que zela pelo silêncio).

O nome que foi profetizado por Nostradamus a este novo mestre foi Maitreya, ou seja, amigo, cuja missão seria a de ajudar as pessoas a encontrarem a verdade, ou seja, tudo o que Dalai Lama faz na sua jornada de conhecimento e luz.

Dalai Lama
Fonte: Wikipédia e Terra Esotérico.
















Demônios




Demônio (português europeu) ou demônio (português brasileiro) é, segundo a mitologia cristã, um anjo que se rebelou contra Deus e que passou a lutar pela perdição da humanidade. Na antiguidade, contudo, o termo tinha outra conotação, referia-se a um gênio que inspirava os indivíduos tanto para o bem quanto para o mal.

Nos contextos judaico e islâmico, a ideia é diversa, até porque não se trata de um ente opositor ao Criador, mas duma criaturas a Ele subalterna. Na cércea do primeiro contexto, refere-se a um ser imperfeito que foi formado no sexto dia da Criação. Para o segundo, os demônios, ou jiin, são seres que coexistem com os seres humanos, dotados de livre-arbítrio, que são chefiados por Iblis.

Cristianismo

Ver artigos principais: Inferno, Demonologia e Possessão demoníaca


"A Tentação de Santo Antônio", de Martin Schöngauer, retrata Santo Antônio cercado por demônios.

Na maioria das religiões cristãs, os demônios, ou espíritos imundos, são anjos caídos que foram expulsos do terceiro céu (a presença de Deus), conforme diz em (Apocalipse 12:7-9). O chefe dos demônios, Lúcifer, era um querubim da guarda ungido (Ezequiel 28 & Isaías 14:13-14), que ao desejar ser igual a Deus, foi expulso do Paraíso.

Porém, quando foi expulso do Céu, a Bíblia nos relata que Lúcifer (conhecido, depois da expulsão, como diabo e satanás, também referido em Apocalipse como dragão ou antiga serpente, fazendo uma referência ao Livro do Gênese) trouxe consigo um terço dos anjos de Deus (Apocalipse 12:4). Não encontra-se na Bíblia cristã qualquer referência ao quantitativo de anjos que acompanharam Lúcifer, mas o livro do Apocalipse diz que o número de anjos a serviço do Criador são "milhares de milhares e milhões de milhares" (Apocalipse 5:11), o que nos fornece uma breve ideia de que muitos anjos estão a serviço do querubim caído, o Satanás, ou Adversário.

Como punição à sua rebeldia, Deus preparou para Satanás e seus anjos um lago de fogo e enxofre, erroneamente chamado de inferno, visto que são lugares diferentes, onde eles devem ser atormentados por toda a eternidade, e com eles, todos aqueles que não receberam a Salvação, que é pela fé no sacrifício e ressurreição de Jesus Cristo. Todos aqueles que morrem sem crer em Jesus Cristo para arrependimento e perdão dos pecados são enviados ao Inferno, onde ficarão até o juízo final, quando então farão companhia ao diabo e, junto dele e de seus anjos, serão atormentados com fogo e enxofre por toda a eternidade.

Devido a vários motivos ou simplesmente por submissão religiosa a Satanás os demônios podem possuir alguém, assumindo inclusive o senhorio sobre o corpo desta pessoa, manipulando suas atitudes e palavras e influenciando fortemente os seus pensamentos. Para os cristãos, o único meio eficaz, utilizado pelos apóstolos, para falir a autoridade de um ou mais demônios sobre uma ou mais pessoas é o nome de Jesus Cristo, Filho de Deus, que segundo a crença cristã é o Nome sobre todo nome, inclusive dos demônios.

Cristadelfianos

Para os Cristadelfianos, os demônios na Bíblia são os deuses dos pagãos, isto é, dos não cristãos. Segundo os Cristadelfianos, os antigos gregos acreditavam que os espíritos podiam possuir pessoas e que eram os espíritos dos falecidos que tinham subido ao nível de demônios (semideuses que traziam o bem ou o mal à humanidade). Quando alguém não entendia a causa de uma enfermidade, por não haver causa aparente ou por ser uma doença do foro psicológico, eram atribuídas a demônios. Os Cristadelfianos também não acreditam que os anjos possam pecar.

Judaísmo

A tradição judaica cunhou a figura de demônio com significado totalmente diverso daquela corrente na tradição cristã. Para o primeiro, os demônios são seres meio-humano, meio-espírito, criados após o homem, podendo reproduzir-se e ser bons ou maus, mas de natureza incompleta, cujos atos tendem ao caos.

Vozes do Além



Durante 20 anos, Konstantine Raudive gravou 72 mil vozes em fitas magnéticas. Não, ele não trabalhava num estúdio ou numa produtora de áudio. Dizem que os sons registrados por esse psicólogo e filósofo letão vinham do além. Ele era especialista em EVP (abreviatura em inglês de “fenômeno da vozeletrônica”), uma das principais manifestações da transcomunicação instrumental – o contato entre mortos e vivos por meio de objetos inanimados. Raudive gostava tanto da sua coleção de frases e recados de espíritos que, até hoje, continua ajudando os estudiosos do assunto. O macabro dessa história é que ele morreu em 1987. A americana Sarah Estep, autora do livro Voices of Eternity (“Vozes da Eternidade”, inédito no Brasil), afirma que volta e meia Raudive aparece nas ondas do rádio de algum colega ainda em atividade na Terra, enviando mensagens em prol da divulgação do fenômeno.
Febre na década de 70, o EVP voltou recentemente das trevas graças ao filme Vozes do Além (de Geoffrey Sax, 2005). Ele conta a história de um arquiteto (vivido por Michael Keaton) que começa a receber declarações de sua finada esposa em gravações caseiras. No início ele é cético quanto à autenticidade das vozes, mas, aos poucos, fica obcecado com a idéia de conversar com a amada que partiu.
Nos anos 20, o americano Thomas Edison – o mesmo que inventou a lâmpada elétrica – previu que, um dia, o homem seria capaz de construir uma máquina para falar com os mortos. Ele nem chegou perto de patentear tal equipamento, mas despertou o interesse de cientistas e religiosos, principalmente os ligados ao espiritismo. Nas décadas de 30 a 50, ganhou força a tese de que os espíritos poderiam enviar mensagens por meio de rádios, vitrolas e outros equipamentos eletrônicos.
"Sou eu mesmo”
Em 1952, o frade franciscano Agostino Ernetti e o monge beneditino Pellegrino Gemelli copiavam cantos gregorianos num gravador de rolo. De repente, a fita arrebentou. Gemelli olhou para o céu e, em tom de brincadeira, pediu ajuda a seu pai. Mais tarde, no meio das músicas, escutaram a voz do pai de Gemelli dizendo: “Certo, vou ajudá-lo. Estou sempre com você”. Chocados, eles repetiram o experimento, e a mesma voz disse: “Zucchini, é claro, você não sabe que sou eu?”. Zucchini era o apelido de criança de Gemelli e ninguém, além dele próprio e do pai, sabia. Os dois contaram a história ao papa Pio XII, mas o caso só veio à tona em 1994, pouco antes de Ernetti morrer.
O acaso também pegou o produtor ucraniano Friedrich Jürgenson. Em 1959, ele gravava sons de pássaros para um filme, quando captou o que acreditou ser a voz de sua falecida mãe: “Friedrich, você está sendo observado. Friedel, meu pequeno Friedel, você pode me ouvir?”. Impressionado, nos quatro anos seguintes, Jürgenson se aprofundou no estudo do EVP e registrou centenas deles, tornando-se um dos pioneiros da área.
Rádios fora de sintonia, com aquele angustiante barulho de estática, e o silêncio dos cemitérios são os lugares preferidos do pessoal ligado em EVP. Como estamos cada vez mais rodeados de eletrônicos, podemos supor que aumentou muito a chance de encontrar um morto desesperado para trocar umas idéias com os vivos. No século 21, televisão, computador, videocassete, CD e DVD, fax e telefone celular podem conter uma mensagem do além com a mesma eficiência das fitas das primeiras experiências. Os espíritas são grandes incentivadores do estudo do fenômeno, por acreditarem na interação entre os mundos de cá e lá. Na falta de uma pessoa com poderes mediúnicos, os espíritos se manifestariam por meio das máquinas domésticas. Assim, o home theater da sua casa serviria de médium entre mortos e vivos. O que pensam os céticos disso tudo? “Hoje, parapsicólogos sérios não se interessam por EVP, e a literatura moderna da parapsicologia não mostra qualquer evidência deparanormalidade nessas gravações”, escreve o psicólogo americano James Alcock, integrante do Comitê de Investigação Científica das Alegações de Paranormalidade. As pretensas vozes seriam resultado da interferência de emissoras de rádio ou modulações cruzadas, quando os aparelhos eletrônicos captam acidentalmente transmissões em outras freqüências. O EVP também surgiria de ataques de pareidolia e apofenia, mecanismos perceptivos que levam as pessoas a ver imagens e ouvir sons que não existem. Os cientistas batem pesado no fato de que as gravações mostram geralmente frases isoladas, como “alô?”, “você está aí?” ou “não estamos sozinhos”. É só isso que os mortos têm para nos revelar?
A polêmica entre defensores e detratores é tamanha que sobrou até para o padre católico Roberto Landell de Moura, o primeiro brasileiro a fazer uma transmissão experimental de rádio, em 1894, no alto da Avenida Paulista, em São Paulo. Os estudiosos da transcomunicação instrumental dizem que, paralelamente ao rádio, ele teria trabalhado numa máquina para falar com os mortos – inclusive, teria obtido sucesso na empreitada. Já os céticos afirmam que, como o homem era um católico convicto, dificilmente teria tentado se comunicar com o além, um assunto que, certamente, desagradaria o Vaticano.
Moura era visto andando com um pacote embaixo do braço, no qual guardava as peças do seu primeiro transmissor. Ele queria provar que era possível conversar com uma pessoa a quilômetros de distância sem o uso de fios. Hoje, a comunicação sem cabos chega a ser banal, mas no final do século 19 soava a bruxaria. Tanto que alguns paroquianos descontentes destruíram a oficina do padre-inventor. Outros contaram que escutaram bate-papos estranhos do padre com uma caixinha de madeira. Mentes despreparadas para a revolução do rádio teriam concluído que Moura se comunicava com o além? Ou ele realmente tentou montar a sonhada máquina de Thomas Edison? Esse é mais um capítulo da eterna batalha entre a razão e a fé, na qual os fantasmas parecem ser os únicos que se divertem.